A espera
Um dia alguém falará dela no passado. Vão dizer 'ela era isto ou aquilo'. No 'isto ou aquilo' imagino coisas boas, pois é dessas coisas que gostamos de lembrar das pessoas que já não fazem parte da nossa vida. Talvez as outras pessoas não digam o que ela diria de si própria. Se calhar dirão que ela era boa amiga, divertida, alguns talvez ousem com a palavra estouvada. Boa pessoa, na generalidade, e uma mulher bonita, de uma forma simples, vaidosa, mas não arrebatadora. Que os seus olhos de criança e a voz espessa penetrante por vezes enchiam uma sala. Dirão isto ou aquilo, mas nunca o quanto ela era apaixonada por ti. O quanto te amava, sofria por não te poder viver, não como te queria, todo e muito, a todas as horas do seu dia. Como o seu corpo só se aquecia junto do teu, os seus lábios se adoçavam com o teu sabor, o seu coração crescia a cada dia com o teu amor. Dirão isto ou aquilo ignorando que a sua alma, o seu coração, morreram asfixiados com a tua falta. Sufocados sob o peso de um gigante louco sem palavras, uma espera infinita pelo teu amor.
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