Um lápis. Um afia. As farpas. Eu.
Há textos que se querem afiados; outros, pelo contrário, falhados, zangados, sujos, esborratados. Um lápis afiado não dura muito, por isso um texto pode começar aprumado, distinto, confiante e acabar todo borrado, como um rimmel longo no fim de uma paixão nocturna; ou começar chamuscado, hesitante, como se quisesse falar sem saber o que dizer e terminar, elegante, punjante, verticalmente orgulhoso. É o texto, são as suas palavras, é a vida que nos pede que lápis quer; Hoje que já não sei escrever à mão, afio um lápis que me escreve, enquanto contemplativa, cheiro as farpas de memória desordenadas sobre a mesa. As farpas, eu.

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