É Maio, hoje e amanhã
O Dia do Trabalhador é de todos; Pelo menos, é assim que o quero, um dia para todos, não se conheçam excepções. Mas vejo-nos esborrachados entre confortos vários, passivos num mundo que corre lá fora, como uma tela gigante que escarnece da nossa estranheza, aquela que perante uma manifestação nos questiona como é que ainda alguém tem paciência para isto?. Gostava de imaginar que este dia, como a chuva que o molha, é nosso, é meu, e não me envergonhar por não ter lutado por ele, por já não lutar por nada, por não questionar o que me é fácil, dado adquirido. Queria ter sido eu a gritar a plenos pulmões que acabe a exploração patronal, venham as oito horas e alguma dignidade. Deveria ter sido eu a levar porrada e a ser enxovalhada por fazer valer os meus direitos. Talvez assim admirasse mais estes dias em que me entrego a um um estado de apatia moral ou intelectual, que começa numa ronha matinal e se arrasta todo o dia, tantos os hiatos, as frestas, os vazios, sim que vazio o imenso tempo destes dias por preencher. Estes dias que se vivem assim, sem nada, rigorosamente nada para fazer. Amanhã vou-me lembrar disto, quando calar as doze horas que trabalho. Amanhã, como todos os dias.
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