1945
Gosto de ti, mãe, porque és um pedaço de mim, mãe, não, antes sou eu um pedaço de ti. Gosto de ti, mãe, porque me olhas como ninguém, porque mesmo despida, deslavada, desmaquilhada, eu sem nada, mãe, me vês como sou, e me amas assim, mãe. Gosto de ti, mãe, porque me deste a liberdade que eu sempre precisei para crescer e ser quem sou. Gosto de ti, mãe, porque sempre sorris quando estou feliz e finges não perceber quando estou triste. Gosto de ti, mãe, porque me achas bonita e que sou importante, para ti sou importante, mãe. Gosto de ti, mãe, porque ainda hoje empurras o meu carrinho e me embalas o berço para eu adormecer, a tua mão ali ao lado, só para eu adormecer, mãe. Gosto de ti, mãe, porque acreditas em mim mãe, aceitas os meus trilhos, as portas que abro, as janelas que fecho, mesmo que tão diferente de ti, mãe. Gosto de ti, mãe, porque quando estou zangada me perguntas se estou triste e não te zangas, não comigo, mãe. Gosto de ti, mãe quando me mandas à minha vida, mãe, que eu já sei andar, eu sei, mãe. Gosto de ti, mãe quando te acercas de mim e nos abraçamos demoradamente, logo tu, mãe, que foges de ser abraçada, mas não por mim, mãe. Gosto de ti, mãe, porque para ti os meus olhos, que são teus, são cor de amêndoa, e são doces e meigos, não amargos, mãe. Gosto de ti, mãe, porque me enganas, nos enganas só para nós pensarmos que tu estás bem, e com isso ficarmos bem. Gosto de ti, mãe, porque és linda, como um campo de flores que dançando ao vento nos faz fechar os olhos, e nos inspiram, sempre, mãe.
[parabéns mãe. hoje fazes anos. hoje e sempre ensinas-me a voar. a tua menina, a voar, mãe...!]
No comments:
Post a Comment