Wednesday, 4 July 2007

Ontem será sempre

Ontem voltei à casa que habitavamos os dois. Eu, visitante incauto à espreita de um vestígio teu, os teus passos, o teu som, qualquer réstia de ti, mas constato tristemente que já nada ali é nosso. As paredes, surpresas, devolveram-me o teu sorriso, o quente do teu rosto ronronando no meu braço, o teu olhar de menino apaixonado nuns óculos descaidos. Chegaram-me as tuas mãos, lindas, os teus vocábulos perfeitos articulando-se no meu mundo, o teu franzir de nariz e esses olhos cobiçosos que me impelem para ti. Fui lá, e sem aviso o teu cheiro entranhando-se em mim, as tuas roupas abandonadas em cima da cama, a gravata bordeaux [ainda] enrolada em cima da mesa. Ontem voltei lá. Sem tu estares, sem tu saberes, ontem será sempre a tua mão sobre a minha numa mesinha de fim de verão.

1 comment:

P said...

... muito à flor da pele, este texto, a única maneira de sentir algumas coisas...
Abraço