Monday, 21 May 2007

Amor em conserva

Hoje pensei em ti, em nós. Um então retórico aquece-me o ouvido, invade-me a alma, repetido, vezes sem conta, até eu te abraçar e viajar na tua boca, onde só nós somos. Nunca soubeste, nunca te deixei perceber como me enlevava o vibrar quente da tua voz, nessa ínfima questão, nessa tua procura doce e meiga de mim. Se eu, e as tuas mãos, primeiro os ombros, o fundo das costas, os pêlos da nuca, o cabelo, o cheiro inspirado, e então, na minha cintura, nos meus braços, nos meus dedos, entrelaçados nas tuas amarras, vencidos de amor ao teu toque. E mais um trago e mais um e depois paro, eu prometo, e então, viro-me suspirando uma eternidade, sinto-te, não te vejo, que não posso, não és meu, mas assim de olhos fechados, tu inteiro, e dou-te os meus ais na esperança que percebas, que os guardes, que eles fogem, como um segredo devastador se revelado. A cabeça pesa-me sobre o teu peito e pum-pum, pum-pum, é o teu coração que acelera, que lateja promessas e sonhos inconfessáveis nas tuas palavras, e te revela, à primeira. E então, e então, deixa-me ser eu a dizer-te, não me tapes a boca, sabes que isto não se cala, aqui dentro são gritos, dá-te por satisfeito que eu só suspiros. Foste tu que perguntaste, foste tu que e então, por isso abraça-me, isso, aperta bem e aquece-me que estou sozinha e o dia está frio.

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